terça-feira, 17 de março de 2015

SSP VAI LICITAR SISTEMA DE RADIOCOMUNICAÇÃO DIGITAL PARA A POLÍCIA DE SANTA CATARINA



O serviço de radiocomunicação nas forças de segurança pública de Santa Catarina, que trabalham há 12 anos com o modelo analógico, vai enfim migrar para o digital. Em agosto, a SSP (Secretaria de Segurança Pública do Estado) montou uma comissão formada por integrantes das polícias Militar e Civil, do IGP (Instituto Geral de Perícias) e Deap (Departamento Estadual de Administração Penal), com o intuito de discutir as bases de um edital de licitação para o sistema digital. A comissão encerrará
os trabalhos até o final de setembro. “A apresentação final indicará a melhor forma de fazer a licitação dos rádios para o sistema digital em Santa Catarina. Lançaremos o edital para cobrir o Estado com rádios digitais”, afirmou ao Notícias do Dia o secretário estadual de Segurança Pública, César Grubba, na abertura da IACP Interseg, feira internacional de segurança pública que começou nesta terça-feira e vai até quinta-feira no CentroSul, em Florianópolis. Em julho, Grubba havia afirmado que seria aberta licitação para o sistema analógico.

O avanço citado por Grubba modernizará o sistema - cuja cobertura atual é deficiente, com pouco alcance e na qual as conversas policiais são interceptadas facilmente por criminosos. O contrato com a empresa Direta Telecomunicações, que opera o sistema analógico na frequência de 800 MHZ, termina este mês. Mesmo com a proximidade do fim do contrato, os rádios móveis e portáteis do sistema analógico são de propriedade da SSP e podem seguir sendo usados até a entrada em vigor do sistema digital.


Além de arcaico, o sistema analógico não atende a determinação da Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações), que em 2010 regulamentou a necessidade de migração para o digital, na frequência de 380 MHZ. Isso deveria ocorrer até 31 de dezembro de 2013. “É preciso avançar à radiocomunicação digital”, reiterou Grubba.


Desde o início de 2014, como Santa Catarina não cumpriu a determinação da Anatel, diferente do que fizeram outros Estados, a frequência dos rádios das polícias passou a operar em caráter secundário, cujo sinal é ainda mais fácil de ser interceptado. “Certamente entraremos na concorrência pública, até porque mantemos conversas sobre este assunto com o Estado. É de nosso interesse oferecer o serviço digital à segurança pública”, disse Yuri Cesário Araújo, gerente de contas no Brasil da Air France, companhia aérea que atua no mercado de radiocomunicação produzindo rádios digitais, e que expõe no IACP Interseg.



A feira
Armas, carros, câmeras, rádios e muita tecnologia. Essa é a tônica da IACP Interseg, feira promovida pela Associação Internacional dos Chefes de Polícia e que reúne as principais novidades no setor de segurança pública. Pelos corredores do CentroSul é possível perceber o quanto o avanço da tecnologia é importante para quem trabalha com segurança pública, especialmente na área de inteligência dos órgãos policiais.

Em mais de um estande é possível ver dezenas de radicomunicadores digitais, as últimas novidades em armamentos, veículos e equipamentos para combater o crime organizado. “A tendência é as forças de segurança utilizarem cada vez mais as inovações tecnológicas para combater o crime, pois hoje não se faz segurança apenas com armas, mas sim com comunicação eficiente e tecnologia a favor da segurança”, avaliou João Carlos Trindade Lopes, consultor de segurança da IACP Interseg.


ENTENDA O CASO

Desde 2002, o governo de Santa Catarina mantém um contrato com a empresa Direta Telecomunicações, que presta serviços de radiocomunicação para a Secretaria de Segurança Pública, munindo de rádios as polícias Militar e Civil e o Deap (Departamento Estadual de Administração Penal).

Em 2010, a Anatel determinou a migração do sistema analógico para o digital até o fim de 2013. A partir de 2014, quem não migrou passou a operar em caráter secundário, de uma maneira que o sistema fica estagnado.


Em setembro termina o contrato com a Direta Telecomunicações, obrigando o governo a fazer nova licitação. O serviço custa mais de R$ 3,4 milhões por ano e a manutenção cerca de 1,1 milhão por ano.


A Polícia Civil de Santa Catarina nem utiliza mais os rádios. Muitos estão jogados nos cantos das delegacias.


Enquanto Santa Catarina parou no tempo, outros Estados trabalham com a radiocomunicação digital em suas forças de segurança. Uma das justificativas do governo para não implantar o sistema é o alto custo do serviço e tempo para implantação.


Nos Estados que operam a tecnologia, no entanto, os valores são menores do que os gastos em Santa Catarina com o analógico e o tempo de implantação leva poucos meses.


Fonte:http://ndonline.com.br